2/17/2008

Nada tanto assim

Cês tão de prova que eu tento agradar aos amigos com presentinhos musicais, mas nem sempre sou compreendida. Tá certo que eu os agrado com musiquinhas e vídeos dos quais eu gosto, mas isso não é relevante. Senti que o último presentinho que pus aqui não agradou. Fui questionada. Então lasco, não um, mas cinco presentinhos mais óbvios pra ele:
Presente 1
Presente 2
Presente 3
Presente 4
Presente 5
São músicas dos besouros das quais eu gosto de ouvir.

Tentarei explicar minha relação com música. Adoro música, mas não sou profunda conhecedora. Gosto de rock. Gosto de ouvir rock. No final dos anos 70, naquela febre da dance, eu ouvia punk rock. O máximo que me permiti, enquanto adolescente cabeçuda, foi gostar bastante de Miss you dos Stones. Sei tocar uma guitarrinha bem mambembe, embora em minha casa tenha uma daquelas de arrasar quarteirão. Toco os riffs manjados, mas não dou continuidade. Sou realista, toco melhor campainha. Nunca dei continuidade em meus estudos musicais. Papai quis que eu aprendesse piano, isso com 7 anos. Comprou um belíssimo -não confundir com o pianíssimo do Pedrinho Mattar. Até os 9, tinha exaustivas aulas com a Dona Celeste, nossa vizinha da casa da frente. Sua filha, Maria Estela, já com vinte e tantos anos, tocava que era uma beleza. A Dona Celeste e o "Seo" Gonzaga -o marido, faziam com que eu repetisse o número de meu telefone quando eu tinha uns 4 anos. Isso durou até os 7. Eles me achavam um prodígio por decorar o número 93-6325, como se isso fosse alguma coisa de gênio. E ele tinha aquela péssima mania de apertar a minha bocheha pra dizer que eu era uma gracinha. Coisa de gênio é agora, eu já com idade avançada lembrar ainda do número do telefone de minha antiga casa. O "Seo" Gonzaga não botaria uma fé nisso e apertaria minhas duas bochechas de uma vez. O fato é que eu cansei. Três vezes por semana, duas horas cada aula não dava mais pra mim. Nesta época, os Beatles já estavam extintos, mas todos o adoravam. Cheguei a tocar Let it be no piano, pedi que a Dona Celeste me ensinasse, embora a simpática velhota fosse contra. Meu irmão mais velho adorava Beatles e Rolling Stones e comprava compulsivamente tudo que saía dos caras. O pai de um amigo dele viajava a trabalho para Londres umas três vezes por ano e ele adorava meu irmão -sempre fomos muito educadinhos, eu e meus dois irmãos -eu sempre fui mais rebeldinha, mas acho que era pelo mimo em excesso que recebi, sobretudo de papai; todos nos adoravam, de verdade. Ele trazia muitos presentes para ele. Entre os presentes, discos dos Beatles, Rolling Stones, The Who e mais um amontoado de coisas. Nós temos quase todos os bolachões dos Stones até hoje. Quando eu tinha uns 5 aninhos, meu irmão disse que a música Lady Jane foi feita para mim. Ele disse que o Mick Jagger estava no Brasil quando eu nasci e compôs a música. Como sempre fui sonhadora, fiquei com essa mentirinha na cabeça pra sempre, então a partir daquele momento sempre gostei mais dos Stones. Até hoje perdura esse gosto. Fui crescendo e li certa vez que enquanto os besouros queriam pegar em nossa mãozinha, os pedras rolantes queriam partir para os finalmentes. Fechei com os pedras. Mas tinha o fator "meu pai". Meu pai odiava rock. Dizia que era um subproduto do jazz. Sim, era, mas e daí? Daí que ele era purista. Quando saíamos juntos, ele colocava os sambinhas e os jazz dele. Se eu pedisse um rock, ele mandava eu ouvir em casa. Segundo ele, em seu automóvel não tocava porcaria. Claro que não odeio samba, mas peguei birra. Até gosto de muita música do Paulinho da Viola. Acho o cara elegante. Só não venha tentar me convencer que o filho fanho do Sérgio Buarque é elegante também que não caio nessa. Vou chocar muita gente com esta minha revelação: não considero as rimas dele tão ricas assim, se é que me entendem. Sei letras lindas de samba de tanto ouvir no carro de papai. Tem uma que ficou em minha mente, que dizia assim:

Se você não me querias
Não devias me procurar
Nem devias me iludir
Nem deixar eu me apaixonar...
Eu não sou água pra me tratares assim
Só na hora da sede
É que procuras por mim
A fonte secou
Quero dizer, que entre nós
Tudo acabou.

Acho que era o Martinho da Vila que cantava. Acho essa letra linda, sério. Mas jamais dei o braço a torcer pro meu pai.
Ouvi pela primeira vez Velvet Underground através de um amigo de meu irmão -o mesmo que o pai ia a Londres toda hora, e fiquei encantada. Ele chamava-se José Carlos. Ele vinha todo entusiasmado me mostrar as coisas novas dele. Eu, ainda criança e ele, um adolescente. Mas ele sabia que eu me encantava com as coisas e ele dizia: "Bambiná" -com essa pronúncia mesmo, "vem ver essa nova que eu quero te mostrar". Ele me mostrou um monte de coisa boa. Não, seus indecentes, não tinha nenhuma maldade por parte dele. Ele só queria me educar musicalmente. Me mostrou Pink Floyd, Yes, essas coisas progressivas, mas o que eu gostava mesmo era de um bom Deep Purple, de um bom Led Zeppelin. E gostava dos Portas, também. Sei que é aborrescente demais gostar do Doors, mas o fato é que eu nem adolescente era e já fui apresentada pros caras, entende? Nós tínhamos uma vitrola maravilhosa -calma, pra época era tudo de bom, e vinha um monte de gente ouvir música por lá. Meu irmão mais velho era o que hoje chamamos de fanfarrão. Ele é 9 anos mais velho que eu. Fazia festinhas bacaninhas lá em casa. Eu, mesmo sendo criança, participava, pois eu conseguia manipular meu pai. Eu sabia que era a preferida, então papai deixava dar as festinhas com a condição de que eu participasse. Não pensem que me orgulho tanto disso. Mudaria algumas coisas lá atrás, mas isso não vem ao caso.
Relutei em ouvir jazz mais apuradamente. Por birra também, já que meu pai era radical. Hoje, ouço feliz um Coltrane. Ontem ganhei de um grande amigo um CD do Coltrane. É uma delícia ouvir My Favorite Things agora. No carro de papai eu fazia bico.
Não sou daquelas radicais que só gostam de rock antigo. Que nada. Me atualizo sempre, mas o verso que mais me persegue por mais brega que possa soar hoje em dia, é aquele da Paula Toller -nessa época, morena e de cabelinho curto: "...eu sei de quase tudo um pouco, e quase tudo maaaaaaaal. Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa, mas nada tanto assiiiim". E o problema, é que isso ocorre comigo, não só com música. Com gentes, principalmente. Aí, é um perigo. Quando parece que estou ultramegafodamente interessada por alguém e a pessoa já fica até naquela posição acomodada, sabendo que a qualquer momento vai ter um tostão de mim e nem se interessa tanto, já que acha que estarei sempre por perto, desisto do nada. Simplesmente abandono. Geralmente, as pessoas com cara de , me questionam, me procuram, se interessam. Simplesmente não entendem. Acham que é vingança de minha parte por não terem me dado a atenção devida. Mas garanto que não tem nada disso de vingança. É puro desinteresse mesmo. Como aqueles cursos de capoeira, tae-know-do, bateria, piano, guitarra, origami, russo; que todo adolescente quer começar a fazer e nunca termina, pois depois de um tempo, enjoa. É um contrasenso dizer isso, já que estou casada com o mesmo homem há 20 anos? Talvez seja. Mas ele sabe exatamente com quem se meteu e, por entender ou ao menos tentar, é que a relação dura há tanto tempo.
Os primeiros fios de cabelos brancos já apareceram em meus cabelos -eu os tinjo, tá bom? O problema é que eles nem sonham em dar o ar da graça em minha mente. E isso é mais perigoso ainda.

6 comentários:

Alexandre, The Great disse...

Adorei os presentinhos. Principalmente "Here comes the Sun", uma verdadeira "viagem" para mim.

A-D-O-R-E-I !!!

Bjs,

Marie Tourvel disse...

Que bom que gostou, Alex, querido. Eu gosto destas músicas dos besouros. É uma "viagem" mesmo. Beijos

Alexandre, The Great disse...

Eu gostava muito mesmo do Rick Wakeman, lembra?
"The six wifes of Henry VIII"
"Voyage to the center of the Earth"

Cheguei a assistir um show dele aqui no RJ (único)no Maracanãzinho.
Muito bom!

Um beijo,

Marie Tourvel disse...

Lembro bem do Rick. Ele era do Yes. Depois foi fazer "carreira" solo. Um loiro com cabelos compridos e "lisésimos". Era um dos progressivos. Ouvia, mas não era tanto a minha praia.;) Um beijo, querido.

enio disse...

Oi, Marie.

Desculpe o sumiço, ou melhor, desleixo em não vir comentar sobre as músicas dos Bítols aqui colocadas antes. São Paulo anda me prendendo, as coisas não se resolvem, eu vou ficando aflito com o tempo cada vez mais curto. Mas enfim, aqui estou.
Só uma ressalva: eu gosto de White Stripes, viu?

Anyway, vamos lá:

Here Comes The Sun - Foi a primeira música que tirei no violão como é tocada originalmente pelo compositor (sim, existem zilhares de maneiras de se tocar a mesma música): com o capo no 7o traste e todas as firulas igualzinho.

Help - no filme, a sequencia onde os viloes jogam dardos numa tela enquanto os beatles tocam de blusa cacharrel preta é antológica, mais moderna que qualquer clipe feito semana passada.

Let it Be - outra que tem a ver com meu aprendizado "Diouvido" ao piano: aprendi passando os acordes do violão pro piano. E nem gosto tanto da música. Mas o Paul com cara de profeta bebado do velho testamento nesse filme é genial.

Hey Jude - Adoro essa música. Sempre acho que enjoei mas escuto até o final sempre que toca. Esse clipe que vc mostrou me decepcionou qdo percebi (assim que saiu o Anthology) que eles estão fazendo playback: só o microfone e piano de Paul estão ligados, dobrando. John e George só dublam...)

Yesterday - eu gosto. Mas sou mais fã de I will que desse tipo de música do Paul, sabe? No clipe que vc colocou acho demais o George (brincando) chamar o Paul de oportunista ao estilo Diogo Maynardi.

=^D

Marie Tourvel disse...

Ei, Enio, querido. Anda por Sampa, ainda? É melhor se mudar pra cá. As coisas acabam acontecendo por aqui mesmo, não tem jeito. Calma, não xingue, é apenas uma brincadeirinha. Nada como falar com gentes que entendem de determinados assuntos. Você é meu professor de "bitologia". Tenho muito a aprender, mas como leu em meu post, eu tenho pressa e tanta coisa... yadda, yadda, yadda. Vai pra Porto e bah, trilegal, no melhor estilo Kleiton e Kledir, quando? Vê se não some, queridinho da Marie. Beijos