9/13/2008

Em busca da lógica

Ah, se eu seguisse os conselhos de papai... Estaria muito provavelmente como estou hoje. Ele me inscreveu nos vestibulares de jornalismo de duas faculdades. Ele queria que eu fizesse jornalismo e em seguida direito. Entrei na USP e numa outra. Mas secretamente me inscrevi em outras duas para ser física. Entrei nessas também. Queria fazer Nuclear na Alemanha. Não riam, por favor. Eu tinha 16 anos. Não, não era nenhum prodígio. Muito provavelmente no ano em que prestei vestibular as provas foram mais fáceis que de costume. Não necessitava tanto raciocínio. Em seguida parti para a engenharia mecânica. Mas papai sabia das coisas. Acho que ele tinha um plano secreto para testar minha paciência. Tanto a USP (ECA!) quanto a outra testariam a vocação para Penélope Charmosa que há dentro de mim. Em meu trabalho atual, que não tem nada a ver com que estudei (embora a física e a engenharia tenham me dado um raciocínio lógico para o trabalho. Para o trabalho, que fique bem claro), tem uma varanda para o pessoal fumar, tomar café, jogar conversa fora. A varanda dá para uma das Universidades que papai me inscreveu. Vendo os alunos de lá, vi que talvez eu não sobreviveria. Eles -meninos e meninas, andam de chinelos Hawaianas, roupas indianas sujas, cabelos desgrenhados e imundos. Na ECA não seria diferente, claro. Com a atenuante de correr o risco de ter aulas com a Bruxa do 71. Desconfio que aquele velho italiano queria mesmo era me testar. Me usar de cobaia para ver se eu seria hipnotizada por esse jeito riponga de ser. Mas como papai sempre tinha razão -ok, nem sempre, eu o homenageio com um ritmo, o tango, do qual ele amava e dançava como ninguém. Mamãe é excelente dançarina também. Enchia-me de orgulho vê-los bailar. Ele me ensinou passos, mas sou dura, só sirvo pra jogar tênis. Taí a música pra vocês:



E taí a Penélope Charmosa lindinha e maravilhosinha brigando com o malvadinho do Tião Gavião:



e a continuação:



Adoro Astor Piazzolla. Adoro Gardel. Adoro tango. Adoro uma desgraça. Adoro quando a desgraça passa e vira "recuerdos de Ipacaray". Adoro quando fica tudo bem. Vamos ficar de bem?

8 comentários:

Luis Santos disse...

Aloha Marie!
"Tudo acaba bem quando termina bem.
Se ainda não está bem é porque ainda não terminou."
Creio que seja do bardo inglês, mas se não for, é tão bom quanto.
Meus dotes como dançarino perdem para um cabide, para o Jerry, e empatam com o Barry Manillow de azul em Copacabana...
A visão construtivista, avaliar pro e contra, custo-benefício, realidades alternativas, controle de danos, e coisas do tipo quase compensam a falta de visão holística da engenharia. Eu disse quase.
Mas cada um é o que é, cada um tem suas limitações.E seus dons. Cabe a nós aprender a viver (e conviver) com eles.
E, sempre que possível, ser feliz.
Fazer um mundo melhor, e tornar mais pessoas felizes.
Aloha!

Frodo Balseiro disse...

Marie essa coisa de profissões é interessante : Eu, fui fazer teste vocacional pois não tinha a menor ideia do que queria ser quando crescesse. Findo o teste, lá veio o veredicto: Jornalismo, Psiquiatria, Arquitetura, não necessariamente nessa ordem. Não segui nenhuma dessas carreiras(epa!)! Fui fazer Administração na GV, me dei bem na carreira (financeiramente digo), mas nunca fui plenamente feliz nela. Muitas vezes me apanho a perguntar, como teria sido minha vida se minha opção tivesse sido a de seguir a minha vocação. Vai saber né...
Bjs
frodo

Marie Tourvel disse...

Putz, Luís, o Barry Manillow. Você me fez lembrar deste ícone maravilhoso. Procurarei uma bela imagem dele para ilustrar meu blogue qualquer dia desses: "At the Copa, Copacabana. The hottest spot north of Havana..." (Já estou me imaginando a bailar).
Mas, querido, nada melhor do que a lógica. Não sei se conseguirei usá-la em minha vida pessoal. Sempre busco isso, pois se consigo no profissional é porque tenho capacidade de buscá-la. Este post não é um lamento. Eu poderia ser qualquer coisa, nada mudaria. Seria esta Marie que vos fala. Um grande beijo e adorei seu comentário.

Marie Tourvel disse...

Ah, Frodo, esse negócio de teste vocacional é engraçado. Eu fiz e deu mais ou menos as mesmas coisas que pra você. Talvez eu fosse mais feliz hoje caso eu pudesse fazer a maioria das pessoas entenderem que tudo tem que ser lógico no trabalho. Nada dessa bobagem de ser lúdico. Trabalho é trabalho. Podemos rir no trabalho, descontrair, sem problemas, desde que quando for para tomarmos decisões a equipe esteja fechada com o raciocínio. No trabalho, isso pra mim, é tão fácil como respirar. Já na vida pessoal... Mas ainda me resta um tempinho pra aprender. :) Adorei a visita e o comentário. Um beijo, querido.

Sabesselá Quem disse...

Oi Marie,

Eu segui os conselhos do meu pai: "Nada de dançar... seria um vacilo." Isto porque meu sonho era Vacilou Dançou. Fiz faculdade como uma boa menina... Meu pai adorava tangos, sempre que podia ia até a Argentina, lá na Boca para sentir melhor. Mas não dançava. Eu gosto dos tangos, sinto neles uma entrega... De preferência com a luz apagada.
Nem sempre somos felizes com certas escolhas.

Beijos.

Marie Tourvel disse...

Pois é, sabesselá, temos muita coisa em comum, nao é mesmo? Adoro tango também. Um beijinho.

Fernando Sampaio disse...

Marie,
Na minha faculdade de agronomia estava cheio de "vermelhos" como a gente chamava os ripongas. E tinha uns brabos, daqueles que cortavam a unha do pé com o dente no meio da sala de aula, e umas mocinhas tão novinhas cheias de pelo no suvaco...Eca mesmo.
Se fosse por eles e suas hortinhas orgânicas a gente passaria fome nesse país.

Eu era (talvez ainda seja) apaixonado pela Penelópe. E lembre-se que ela sempre escapa no final.

Adore as músicas também, vc virou minha Radio Marie...
Beijos

Marie Tourvel disse...

E você é um querido, né, Fernando? ;) Olha, aceito até roupa riponga, mas sem depilação não dá, né? :)))
Ai, que bom que gostava da Penélope. Então vai gostar de mim. Meu apelido na faculdade de engenharia mecânica (era a única mulher da sala) era Penélope Charmosa. ;)
Fico tão contente que goste das músicas que posto por aqui. Garanto que são colocadas de coração. Um grande beijo!