10/28/2008

Cioran

Leiam este post com citações de Cioran ouvindo esta música (não reclamem por ser U2. É de uma época não tão engajada do Bono, nem se preocupem. A música é boa, muito boa. Não, não xinguem porque misturei Bono Vox com Cioran. Se vocês prestarem a atenção na letra encontrarão sincronicidades, ou não, como diria o baiano que deveria ter sufragado no Gabeira e não o fez por estar em Roma):



Durante o meu estado puramente letárgico, ando lendo Cioran. Ontem o citei por aqui. Eu já havia lido aquela frase. Sabia que tinha lido em algum canto. Um amigo me perguntou em qual livro está. Não sei, meu querido amigo, não sei. Fui à casa de meu irmão hoje para vasculhar os livros que se encontram no sótão. Achei pérolas por lá. E descobri que tem mais coisa do que eu pensei. A biblioteca de papai, enfim, não foi tão desfeita assim. Foi, mas não como imaginei. Ainda não encontrei um Cioran. Mas não consigo ficar por lá durante muito tempo... ai que essa rinite ainda me mata. Vamos a Cioran:

A timidez, inesgotável origem de tantas infelicidades na vida prática, é a causa directa, mesmo única, de toda a riqueza interior.

Todos os seres são infelizes; mas quantos o sabem?

Só tem convicções aquele que não aprofundou nada.

Esperar é desmentir o futuro.

O destino do homem é esgotar a idéia de Deus.

Deus é um desespero que começa onde todos os outros acabam.

O limite de cada dor é uma dor maior.

Por necessidade de recolhimento livrei-me de Deus, desembaracei-me do último chato.

8 comentários:

Léo e só disse...

Oi Marie.

Que tal um curso rápido , igual oas já praticados, sobre esse Cioran. bom demais.

Marie também é cultura. E de grátis.


abs

Sabesselá Quem disse...

Oi Marie,

Pensar, pensar, pensar... e música!
Alegrias da vida.


Beijos!
:)

Marie Tourvel disse...

Leo, querido, eu deveria ter colocado um linque para Cioran. Conserto isso agora. Mas tenho umas considrerações a fazer: Segundo Cioran, o tédio alimenta o pessimismo. Estediar-se é mascar o tempo. Ele é o filósofo do tédio e do êxtase. Instigante, garanto a você.

Marie não é cultura, mas é de grátis, sim. :))))

Um grande beijo.

Marie Tourvel disse...

Mas você sabe, sabesselá, que quem pensa muito não casa, né? :))))
E quem ouve muita música vira um ser romanticuzinho, "que nem igual que eu". Cioran pode dar uma contrabalançada nisso, ou não. ;)

Beijos!

Paulo Cunha Porto disse...

Querida Marie,
gosto muito desta, dele:
"só um optimista se suicidaria, o pessimista teme sempre ir desta para pior".
Ou então, a que serve de divisa ao meu anterior blogue:
http://parafrasefacil.blogspot.com/

Beijinho

Marie Tourvel disse...

Esta realmente é muito boa, Paulo, querido. Eu gosto muito de Cioran e sabes que eu nunca havia entrado neste seu blogue anterior? Eu lia seus comentários na nossa Megleen e adiava a entrada em seu blogue. Que burrinha, a Marie. :P Que blogue lindo! Charmoso, elegante e com uma foto linda do dono do blogue! Adoro o Duro das Lamentações também. Só daria uma sugestão: coloque aquela foto do antigo blogue. ;) E li o Cioran de lá. Gosto de Cioran, mas deixo ele de lado durante algum tempo. No momento é o que tenho lido depois de um longo inverno sem ele. :)
Adoro quando vem por aqui, Paulo. Vem sempre, tá? :)
Beijinhos

AC disse...

Marie, eu acho o Cioran um profissional da amargura, um personagem de si mesmo - uma espécie de Zé do Caixão da filosofia. Um subHeidegger, mas alinhado com as mesmas intenções totalitárias do "mestre". Fecho com a saudável ironia e ceticismo dos ingleses e a parte dos franceses que não aderiu aos alemães.
A Segunda Guerra foi uma catastrofe pq os alemães não aprenderam a cozinhar e os franceses desaprenderam a filosofar. Sobraram os ingleses...

Marie Tourvel disse...

Acho que o termo que usou é preciso, sim, Antonio querido: "Zé do Caixão da filosofia" (hahahahaha). Acho bem apropriado mesmo. Claro que ninguém supera os ingleses em ironia. Mas gosto de ler os alemães. Aprendo com eles. Adoraria viver no tédio, mas como pode perceber com o sorriso do meu avatar é meio difícil, né? :) Então leio os alemães para tentar ao menos.
(Marie sempre prefere o humor fino dos ingleses e dá muitas gargalhadas. Mas de quem Marie gosta mesmo é do Ortega Y Gasset. É fã desde criancinha.)
Adorei que veio por aqui, querido.
Beijos!!!