1/26/2009

Dead End Street

Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.

Este texto não é meu, mas de Clarice Lispector. Eu poderia ter escrito, pois me descreve com exatidão impressionante. Claro que eu escreveria de forma mais empolada, mais pobre, mas ainda assim com o mesmo significado.

E esta é a música que está me seguindo há algum tempo. Ouço, ouço e cada vez mais me identifico. (O vídeo é engraçadinho, por isso posto o vídeo e não só a música):

10 comentários:

Frodo Balseiro disse...

Marie, se pensar bem, a gente não faz nada! Viver é arriscado...
Se você também estiver acertando 50% das ações impulsivas, tá bom demais!
Bjs

Marie Tourvel disse...

É que às vezes, Frodo, querido, dentro das que se erra dos outros 50% causa uma tsunami e acaba machucando alguém ou mesmo matando sentimentos. Por isso que a escolha pela forma adulta é mais prudente. Ela traz um conformismo, é certo, mas pelo menos não se machuca ninguém. Mas insisto ainda na minha, digamos, meio infantilidade. Vamos ver, vamos ver.

Um grande beijo.

Jana disse...

Que tal a gente montar uma irmandade das impulsivas? A mulherada que a gente conhece ja dava quorum. :-)))))
Beijo

Marie Tourvel disse...

Putz, Jana, se dava quorum, viu. A Clarice Lispector escreveu isso para todas as mulherzinhas normais, né? Não inovou em nada. :)))))
Queria ver ela falar do "eu" como objetiva e prática. Aí não, né, espertinha? :)))))))

Beijos, querida.

Rose disse...

Vale a pena fazer uma pequena pesquisa( de campo, campo mesmo - que tal o Ibirapuera?)para saber se TODAS as mulheres são como nós, Marie, assim, impulsivas.
Se forem, podemos escrever um livro de auto-ajuda e...ganhar um dinheiro...rá rá rá
( é legal ser assim, mas nem sempre. A gente se liga no 'nem sempre')

Marie Tourvel disse...

Rose, querida, seremos as "Lair Ribeiro" da impulsividade. Ganharemos rios de dinheiro com livros, palestras e coleções. :))))
"Nem sempre" é bom, "nem sempre" é ruim. O fato é que "sempre" alguém sai chamuscado. :))))

Beijos

Rover disse...

Olá, querida Marie! Como estás? Vou me atualizando nas leituras, péssimo leitor e amigo que sou...

De primeira: não consigo gostar tanto assim "da Clarice". Primeiro que essa proximidade que tanta gente tem com ela me dá um certo bode (chato, como todo bode). Acho-a excelente, é bom esclarecer. Mas tenho outros na frente, hahaha (aposto que ela deve estar chorando onde estiver ao saber disso, tão triste).

E vamo que vamo... sem estelas e afins!

Marie Tourvel disse...

Rover, quanta saudade de você, meu querido amigo.
Olha, não sou fã de carteirinha da Clarice, também. Gosto, simplesmente. Teve um tempo que eu lia muito as coisas dela, mas sempre me batia uma coisinha de lugar-comum, embora acho que eu seja muito exigente por vezes. Mas no geralzão eu gosto dela, sim. Aqui no Bananão eu diria não ter taaaaaantos assim na frente, não. :)))))
Eu é que fico triste com seus sumiços, tá? ;)
Sem Estelas é o principal, né não? :)))
Beijos

Fernando Sampaio disse...

Que bom te ler de novo Marie!

Marie Tourvel disse...

E que bom tê-lo por aqui sempre, Fernando, querido. ;)

Um grande beijo