1/28/2009

Misfits



Ela sentia-se aquela que ninguém podia chegar perto. Nenhum membro daquele grupo, daquela confraria poderia estar próximo. Assim como uma doença contagiosa, uma lepra, uma tuberculose. Ela destoava do cinismo e das perversidades permissivas dentro do grupo. Perversidades profundas só com os membros do grupo. Só com os elevados. Ela não era elevada. Era para uma tarde chuvosa e só. Manter distância era imperativo para que ele fizesse parte da confraria. E ele continuava infeliz dentro de seu mundo particular. E ela continuava infeliz por não ter o direito de entrar mais nele. Ela era uma doente contagiosa, uma espécie de doença que iria levá-la à morte. Não tinha medo da morte, mas tinha medo de morrer antes de dizer a ele como e por que sentia. E sabia que não teria essa oportunidade. Afinal, o grupo jamais deixaria. Eram os dois, assim, desajustados.

6 comentários:

Fernando Sampaio disse...

Estou misfit também chérie...

Marie Tourvel disse...

Também, querido? Precisamos nos ajustar, então. ;)

Beijos!

AC disse...

É o título de um dos meus filmes preferidos e, dos que vi, o melhor do sempre bom John Houston.
Mas eu tb ando me perguntando quando foi que o amor se converteu numa doença, uma fraqueza a ser evitada; quando foi que "sermos tão parecidos" se tornou a causa da separação e não exatamente da união - como seria de se esperar...

Rose disse...

O problema é o grupo. Resta saber por que ela aspira a fazer parte dessa alcatéia. E ele só fica rondando rondando. Não se sabe se ele quer dominar o grupo, ou olhar de lado desprezando.
Ela de qualquer forma acho..está em desvangagem. Em relação a ela , a ele, ao grupo. Essa moça precisa viajar e conhecer um des-grupo.

Beijos, Marie

Marie Tourvel disse...

Antonio, querido, também considero este o melhor do Houston.
É verdade o que diz no seu comentário. Em qual momento em que decidiram que os iguais não podem estar juntos, andar na mesma direção, o que seria perfeitamente normal? Por que querer ser o que não se é? E perde-se tanto tempo, não é? :(

Um grande beijo

Marie Tourvel disse...

Rose, querida, muito provavelmente ela aspira fazer parte da alcatéia porque ela sabe que pode, intelectualmente falando. Ela só não consegue ter o cinismo, no pior sentido da palavra, que eles apregoam. Ele se afasta, eu presumo, porque ainda acredita que pode mudar sua essência. Mas embora ele não perceba, ela o conhece tão bem que sabe que esta ele nunca mudará. Ele possui uma insegurança infantil, ainda. Mas ela sabe que o dia em que ele ficar mais seguro ouvirá o que ela tem a dizer de forma serena. Talvez ela não queira mais fazer parte do grupo. O que mais interessa a ela no momento é tentar mostrar para ele que ela é seu "grupo". Mas isso requer tempo. E ela não tem tanto tempo assim. :(

Adoro quando vem por aqui e sabe disso. Seus comentários sempre são instigantes. ;)

Beijos!