6/02/2008

...Porque nada jamais fará sentido novamente...

Tomei coragem e resolvi colocar o Auden por aqui. Auden era um dos poetas favoritos de papai e é meu também. Lembro-me quando li para ele pela primeira vez este poema. Ele ficou encantado pelas palavras. Hoje, abrindo meus arquivos, sem querer abri nele. Pensei que devia postá-lo. E vou, porque nada jamais fará sentido novamente...

Funeral Blues (by W. H. Auden)

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead.
Put crepe bows round the white necks of public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West.
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever; I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.

Sorriso hoje, só amanhã. Talvez. Quem sabe. O descaso não me deixa sorrir, sei lá eu o motivo, viu?

2 comentários:

Sabesselá Quem disse...

Poema lindo, Marie. Lembrei do filme: "Quatro Casamentos e Um Funeral". De quebra, do Hugh Grant. ai ai... Meus sais... ai ai.

Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.

Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado

As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
(tradução ???)

Lindo. Adoro poemas.
Beijo.
:)

Marie Tourvel disse...

O Hugh Grant é um cara de respeito, né? Com ele eu andaria de mãos dadas. hahahaha. Esse poema é lindo mesmo, sabesselá. A tradução é por aí mesmo, mas a última frase para mim é a do título. Traduzi assim para papai desde a primeira vez e ficou. Auden é maravilhoso mesmo. Poesia é tudo de bom. Adoro quando vem por aqui, viu? Beijos