4/05/2009

Sunday Morning

É estranha a sensação de querer que o outro esteja enterrado sem ter morrido. Mais estranha ainda é a vontade de dormir um sono profundo até que o outro morra fisicamente para chorar a ausência literal. Até que as lágrimas cessem por completo. Diante de ausências que aparentemente representariam alívio, só há a necessidade de abrigo. Quem dará o abrigo? Ninguém. Nem mesmo o irmão, nem mesmo o amigo. Nem mesmo o desconhecido. Nada. Vazio. Resta a realidade de estar morta e que alguém por descuido ou mesmo compaixão lhe enterre.




Um poema de Sylvia Plath.

Edge

The woman is perfected.
Her dead

Body wears the smile of accomplishment,
The illusion of a Greek necessity

Flows in the scrolls of her toga,
Her bare

Feet seem to be saying:
We have come so far, it is over.

Each dead child coiled, a white serpent,
One at each little

Pitcher of milk, now empty.
She has folded

Them back into her body as petals
Of a rose close when the garden

Stiffens and odors bleed
From the sweet, deep throats of the night flower.

The moon has nothing to be sad about,
Staring from her hood of bone.

She is used to this sort of thing.
Her blacks crackle and drag.

Tradução:

Limite

A mulher está perfeita.
Seu corpo

Morto enverga o sorriso de completude,
A ilusão de necessidade

Grega voga pelos veios da sua toga,
Seus pés

Nus parecem dizer:
Já caminhamos tanto, acabou.

Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca,
Uma para cada pequena

Tigela de leite vazia.
Ela recolheu-as todas

Em seu corpo, como pétalas
Da rosa que se encerra, quando o jardim

Enrija e aromas sangram
Da fenda doce, funda, da flor noturna.

A lua não tem porque estar triste
Espectadora de touca

De osso; ela está acostumada.
Suas crateras trincam, fissura.

7 comentários:

Rose disse...

O tempo é abrigo.

Rose disse...

Amigo é abrigo. Amigo amigo.

Marie Tourvel disse...

E o tempo é implacável, também, Rose, querida.

Um grande beijo.

Mikio disse...

O tempo é implacável com tudo.

Com as dores, com amores...

:(

Marie Tourvel disse...

Com tudo, Mikio, querido, com tudo.

Um beijo

Mikio disse...

Adoro Sylvia Plath.

Principalmente agora que quando leio os poemas dela lembro da Gwyneth Patrow (assim que escreve?). rs

Beijos.

Marie Tourvel disse...

Acho que tem um "l" no sobrenome da moça, Mikio, não tenho certeza. Ah, esses nomes complicados... :)

A Sylvia Plath é deprê total, mas tem hora que é bom lê-la pra colocar nossos pés no chão e tirar as mãos dele, né? ;)

Beijos